O governador romano colocou–se diante de quarenta soldados da chamada “Legião do Trovão” e disse:
– Ordeno que sacrifiquem aos deuses de
Roma ou perderão sua patente. Esses quarenta soldados criam firmemente
no Senhor Jesus e sabiam que de forma alguma poderiam sacrificar aos
ídolos, mesmo diante das ameaças do governador. Cândido respondeu por
todos, dizendo:
– Nada nos é mais especial ou maravilhoso
do que Cristo, nosso Deus. Primeiramente, o governador tentou
suborná–los, oferecendo–lhes dinheiro e honras no Império, mas depois
passou a ameaçá–los, dizendo que sofreriam várias torturas e tormentos.
Cândido respondeu:
– O senhor nos oferece dinheiro que
perece e glória que desaparece. Tenta nos fazer amigos do imperador, mas
nos afasta do verdadeiro rei. Só queremos um presente: a coroa da
justiça. Estamos ansiosos pela glória, mas a glória do céu. O senhor
ameaça nos torturar e considera nossa devoção um crime, mas verá que não
desanimaremos. Não nos apegaremos a esta vida, nem ficaremos
apavorados, mesmo diante da morte. Por amor ao nosso Deus, estamos
dispostos a enfrentar qualquer tipo de tortura.
O governador ficou furioso. Sua raiva era
ainda maior, porque aquela legião havia alcançado o respeito do
imperador Antônio quando ele e seus soldados foram encurralados, sem
água, nas montanhas da Germânia ao enfrentar os reis bárbaros daquela
região.
Sem condições de sair dali e já
enfraquecidos pela falta de água, aquela legião pediu ao imperador
Aurélio Antônio permissão para orar pedindo a Jesus que enviasse chuva.
Mesmo odiando os cristãos, o imperador consentiu.
Assim que acabaram de orar, veio uma
tempestade muito forte. O exército romano matou sua sede e estocou água,
o que permitiu que recobrassem as forças e vencessem o exército
bárbaro.
Assim, aqueles quarenta soldados
conquistaram o respeito de Antônio e foram apelidados de “Legião do
Trovão”. Por ter ciúmes da reputação que conseguiram perante o imperador
e por não quererem sacrificar aos deuses de Roma, o governador decidiu
que morreriam de maneira bem lenta e dolorosa.
As outras legiões receberam ordens de
arrancar as roupas e a armadura de todos os soldados cristãos da Legião
do Trovão e colocá–los nus num lago congelado. Então o governador
colocou outros soldados ao redor do lago para impedi–los de sair e ficou
assistindo enquanto a noite caía, piorando ainda mais as condições de
sobrevivência dos cristãos.Todavia, os quarenta soldados estimulavam–se
mutuamente como se estivessem indo para a batalha.
– Quantos de nossos companheiros de armas
caíram mortos nos campos por sua fidelidade a um rei terreno? Será
possível que falharemos em sacrificar a vida ao Rei verdadeiro? Que
ninguém desista, ó guerreiros, que nenhum de nós fuja desta luta contra o
diabo.
Eles passaram a noite suportando a dor e
se alegrando na esperança de rapidamente se encontrarem com o Senhor.
Para aumentar a tortura deles, o governador mandou trazer bacias com
água quente, que foram colocadas ao redor do lago, a fim de diminuir a
resolução dos soldados.
O governador disse:
– Vocês podem sair e vir tomar um banho
quente, assim que estiverem dispostos a negar sua fé. Por fim, um dos
quarenta esmoreceu, saiu do gelo e tomou um banho quente.
Um dos soldados na margem do lago viu que
um dos cristãos havia desistido, então, tirou sua armadura e tomou o
lugar do desertor entrando no lago congelado, surpreendendo a todos com a
rapidez de sua conversão. Enquanto entrava na água, declarou:
– Também sou cristão, sou soldado de Cristo.
Em algumas horas, todos já estavam bem
aquecidos, nos braços de Jesus. O soldado desertor, depois de tomar seu
banho quente, também foi executado.
Os loucos por Jesus nunca
“congelam”. Pode ser que fiquem abatidos por um tempo, mas logo o amor
de Cristo aquece–lhes o coração e derrete toda a frieza.
*Texto extraído do Livro Loucos por Jesus, vol. 1 do Pr. Lucío Barreto
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