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sábado, 28 de março de 2020

Filosofia Política


Assista ao vídeo: O que é política?
FILOSOFIA POLÍTICA

A origem da palavra POLÍTICA é grega, e ela é derivada de POLITIKOS, que significava "relativo ao cidadão ou ao Estado. Esta palavra por sua vez, tinha origem em POLITES, que em grego era CIDADÃO, e ainda tem mais um ramo, POLIS, que significa CIDADE. 
Segue algumas obras clássicas e primordiais como referência de leitura para iniciantes, com breves comentários introdutórios.



Platão (Atenas, 428 a.C. – 348 a.C.) – A República

1Platão (Atenas, 428 a.C. – 348 a.C.) – A República

O fundador da Academia no Ocidente. Para Platão, a realidade só era possível de ser conhecida no campo das ideias, sendo o seu famoso mito da caverna uma alegoria de tal pensamento.  Se sabemos um pouco sobre a filosofia de Sócrates, o qual não deixou nenhum escrito, também devemos em grande parte à Platão, que foi um dos seus alunos, em seu “Apologia de Sócrates”. Além de aluno de Sócrates, Platão ainda seria o professor de outro filósofo brilhante, Aristóteles.[1]
Na obra o filósofo discute conceitos de uma formação ideal de sociedade, em que cada classe desempenharia suas funções: soldados para a luta, crianças para a educação e os mais capacitados intelectualmente para a política. Contrariamente a Aristóteles, Platão afirma que uma sociedade deve cuidar para uns poucos não tenham propriedades demais para a melhor convivência de todos os habitantes da pólis. Posteriormente escreveu “As Leis”.


Aristóteles (Estagira, 384 a.C. – Atenas, 322 a.C.) – A Política

2Aristóteles (Estagira, 384 a.C. – Atenas, 322 a.C.) – A Política

Política, Ética, Retórica, Lógica, Ciência, Química, Biologia, Astronomia… Praticamente não houve uma área de estudo que tenha sido ignorada por Aristóteles. Por tal motivo ele é considerado como um dos homens que mais obteve conhecimento de todos os tempos.[2]
Em “A Política” podemos conferir importância dos seus estudos para a compreensão do pensamento político. Nela temos a descrição de organização da família, das relações de poder na família, do comércio, da sociedade civil, entre outras. Um marco no pensamento político ocidental, embora seja “amada” pelos conservadores, levando em conta que Aristóteles era um aristocrata. Ainda é autor da célebre obra “Metafísica”.


Nicolau Maquiavel (Florença, 1469 – Florença, 1527) – O Príncipe

3Nicolau Maquiavel (Florença, 1469 – Florença, 1527) – O Príncipe

Maquiavel foi o primeiro filósofo a pensar sobre a política como ela é, e não como ela deveria ser, sendo por isso considerado um filósofo pragmático, um pensador da “realpolitik” séculos antes desse termo ter surgido.[3]
Podemos considerar O Príncipe como a obra mais “polêmica” da lista. Nele, Maquiavel fala sobre a necessidade de um monarca – ou governante – com pulso firme, determinado, que fosse um legítimo rei e que defendesse seu povo sem escrúpulos e nem medir esforços. Diante da questão “é preferível que um líder seja amado ou temido?”, Maquiavel responde que é importante ser amado e temido, porém, é melhor ser temido que amado.


Thomas Hobbes ( Westport, 1588 – Derbyshire, 1679) – Leviatã

4Thomas Hobbes ( Westport, 1588 – Derbyshire, 1679) – Leviatã

Thomas Hobbes  pode ser considerado o fundador de alguns princípios liberais como direitos individuais, a igualdade natural entre os homens e a representatividade na política. Sua frase mais conhecida “o homem é o lobo do homem” indica o pessimismo de sua filosofia política em relação ao ser humano, o que é explicado, em parte, por ter presenciado os horrores da Guerra dos Trinta Anos (1618 – 1648).[4] Hobbes viveu por quase 100 anos.
Leviatã é a sua principal obra e se tornou um clássico da filosofia política. O nome se refere ao monstro bíblico, o qual ,na obra de Hobbes, torna-se uma alegoria do Estado. Dividiu este livro em quatro partes, sendo a primeira dedicada ao estudo da natureza humana: da sensação, imaginação, linguagem, razão, ciência, paixões. E só depois inicia o estudo da República, soberania, leis civis e da relação entre a religião e a política. Ainda é autor da obra “Do cidadão”.


Barão de Montesquieu (Bordéus, 1689 – Paris, 1755) – Do Espírito das Leis

5Barão de Montesquieu (Bordéus, 1689 – Paris, 1755) – Do Espírito das Leis

Para o filósofo político Montesquieu todos os tipos de governos, seja monarquia, aristocracia ou democracia, eram potencialmente tiranos. Para se evitar o despotismo, era necessário a divisão dos poderes legislativo, executivo e judiciário baseados no Estado de direito.[5] Isso te lembra algo?
O governo como conhecemos hoje é inspirado nesse pensamento de Montesquieu, o qual também rendeu sua principal obra, “Do Espírito das Leis”.  Apesar de densa, é de suma importância as reflexões ali postas sobre essa divisão de poderes. Ainda que escrito num período em que monarquia era a principal forma de governo na Europa, o livro continua atual e é um grande clássico na filosofia política moderna.


Voltaire (Paris, 1694 – 1778) – Cândido ou Otimismo

6Voltaire (Paris, 1694 – 1778) – Cândido ou Otimismo

François Marie Arouet, mais conhecido pelo seu pseudônimo Voltaire, costuma ser lembrado como o filósofo que defendeu a liberdade de expressão, de comércio e de religião, esta lhe rendendo duas prisões na França, o que motivou seu exílio para a Inglaterra.[6] A famosa frase “posso não concordar com nenhuma palavra do que você disse, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”, apesar de ser uma síntese do seu pensamento, não é de sua autoria, mas sim de Evelyn Beatrice Hall.
Em Cândido o autor iluminista faz uma sátira do pensamento “otimista” de outro filósofo e também matemático Leibniz. No curto livro,  Voltaire retrata as aventuras de um jovem e seu mestre Pangloss ao redor do mundo. Diante de tantas tragédias vividas, o jovem fica desesperançado e questiona ao mestre se aquele é “realmente o melhor dos mundos possíveis” – em alusão a visão de Leibniz. O livro termina com a conhecida citação: “devemos cultivar nossos próprios jardins”.


Jean-Jacques Rousseau (Genebra, 1712 – Ermenonville, 1778) – Do Contrato Social

7Jean-Jacques Rousseau (Genebra, 1712 – Ermenonville, 1778) – Do Contrato Social

O filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau foi um dos maiores pensadores do movimento iluminista. Ao contrário de Hobbes, Rousseau acreditava que o ser humano não possuía uma natureza má, mas que a sociedade o corrompia. Apesar da perseguição religiosa que sofreu por conta de sua obra “Profissão de Fé do Vigário Saboiano”, Rosseau era um homem espiritualizado, com alguns o considerando um cristão não confesso. Foi rival de outro célebre filósofo luminista, o francês Voltaire, e um dos autores mais citados por Marx e Engels no Manifesto Comunista.[7]
Em Contrato Social, sua mais conhecida obra, está contida a célebre frase: “O homem nasce livre e por todos os lados se encontra sob grilhões”. Em tempos atuais, ela ainda tem sua validade. O filósofo tratou da questão do “pacto social”, ou ainda, “contrato social”, bem como o conceito de “vontade geral”.


Friedrich Engels (Barmen, 1820 – Londres, 1895) – A origem da família, da propriedade privada e do Estado

8Friedrich Engels (Barmen, 1820 – Londres, 1895) – A origem da família, da propriedade privada e do Estado

Apesar de ser filho de um rico industrial, Friedrich Engels se tornou um dos grandes teóricos do socialismo. Uma das razões foi ter conhecido a situação de extrema pobreza em que se encontrava a classe trabalhadora quando ficou responsável pela direção de uma fábrica têxtil na Inglaterra.[8] Com Marx escreveu o Manifesto Comunista, tratado político escrito em 1848 e que exerce grande influência até hoje.[9]
Sua “A origem da família, da propriedade privada e do Estado” é uma obra clássica de imperdível leitura, pois nela o autor trabalha os fundamentos gerais das origens da ordem social dividida em classes, usando de estudos científicos ali disponíveis, como também sua reflexão sobre algumas temáticas pertinentes – e ainda hoje vigentes. Na obra, sob uma concepção materialista, conclui que a produção e reprodução da vida nos meios de existência do homem são fatores decisivos da história. O princípio fundamenta a compreensão das fases de desenvolvimento humano, assim como os progressos obtidos na produção dos meios de existência.


Antonio Gramsci (Ales, 1891 – Roma, 1937) – Poder, Politica e Partido 

9Antonio Gramsci (Ales, 1891 – Roma, 1937) – Poder, Politica e Partido 

Um dos filósofos mais citados pela direita brasileira, em grande parte devido às teorias conspiratórias de Olavo de Carvalho. Contudo, ao contrário do que Olavo diz, Gramsci não tinha um plano de doutrinação marxista das massas, mas sim criticava justamente a hegemonia cultural  das classes dominantes sobre ela. Suas obras foram publicadas apenas após sua morte, sendo seus “Cadernos do Cárcere” escritos durante sua prisão no regime fascista de Mussolini.[10]
Em “Poder, Política e Partido”, Gramsci parte de dois pontos fundamentais: as relações de força que se dão em uma sociedade, a qual, segundo Gramsci, é constituída por uma estrutura e superestrutura formando um bloco histórico, cujo conjunto é complexo e contraditório, tornando a luta de classes entre burgueses x proletariado algo inevitável; o segundo ponto é algumas categorias que ele chama de “intelectual orgânico”, que é o profissional político que representa uma classe (dominante ou trabalhadora), enquanto o partido político é toda organização desta sociedade e cuja existência depende de homens comuns e elementos de união (contato “físico”, moral e intelectual) e coerção.


István Mészáros (Budapeste, 1930) – Para além do capital

10István Mészáros (Budapeste, 1930) – Para além do capital

Certamente um dos maiores filósofos marxistas contemporâneos. Nascido na Hungria, István Mészáros nasceu numa família pobre e precisou desde cedo trabalhar. Com 12 anos teve seu primeiro trabalho, o qual conseguiu mentindo a idade, dado que não era permitido o trabalho para menores de 16 anos. Assim como Engels, a realidade social do capitalismo o tornou um crítico do sistema, mas enquanto o primeiro apenas presenciou o sofrimento dos trabalhadores, Mészáros o sentiu na pele. Como crítico do socialismo reformista, Mészáros defende transformações sociais fora das instituições burguesas e promovidas diretamente pela classe trabalhadora, o que o fez se aproximar dos anarquistas. No entanto, para estes, seu apoio aos governos de Hugo Chávez compromete o seu trabalho teórico e o torna contraditório.[11] Mészáros também foi assistente de György Lukács quando estudava filosofia na Universidade de Budapeste.[12]













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